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EDITORIAL: Parceria Euro-BRICS: A caminho do mundo depois da crise, por Franck Biancheri
Neste número especial do MAP consagrado à futura cooperação Euro-BRICS, o LEAP/E2020 prossegue a exploração dos caminhos que conduzem ao mundo depois da crise. Desta vez, ao focar a parceria Euro-BRICS, pretende-se antecipar os processos que irão permitir a governança do século XXI e o reequilíbrio pacífico das relações entre as potências-chave do planeta. Não é por acaso que decidimos editar este número imediatamente depois da eleição presidencial francesa. Na realidade, a derrota de Nicolas Sarkozy marca o fim do parêntesis americanista da França que conduziu este país ao alinhamento integral nos últimos cinco anos com as posições geopolíticas do eixo Washington-Londres-Telavive. A vitória de François Hollande marca pelo contrário, não apenas o regresso de uma visão geopolítica gaulista-mediterrânica (uma Europa independente), mas também a afirmação da necessidade —entenda-se, urgência— de explorar novas relações com os BRICS. Como se poderá perceber pela leitura deste número do MAP, a cooperação Euro-BRICS encontra-se bem avançada em inúmeros domínios (ciência, tecnologia, economia, ...) embora lhe falta ainda um referencial político-diplomático claro, capaz de ter um impacto construtivo na evolução do mundo. A Alemanha abriu o caminho em 2011 no Conselho de Segurança da ONU, a propósito da intervenção militar na Líbia, abstendo-se ao lado da China, da Rússia e do Brasil. Mas, face às posições americanistas assumidas pela França, nada de estrutural poderia emergir para aprofundar os interesses comuns da Eurolândia e dos BRICS. No entanto, da crise económica e financeira mundial à crise das dívidas soberanas na Eurolândia, passando pela evidência do impasse das aventuras militares ocidentais, os temas de convergência são numerosos entre europeus, de um lado, e russos, chineses, indianos, brasileiros e sul-americanos, do outro. A mudança de poder em França vai justamente permitir à Eurolândia, ou pelo menos a um núcleo de países pioneiros em volta do eixo franco-alemão, colocar até 2013 as bases duma verdadeira parceria estratégica Euro-BRICS. Bem entendido, tal como em todas as parcerias, existem também numerosos temas de fricção e existem desacordos. Mas é precisamente por este motivo que um tal diálogo é necessário. Se existisse um referencial político-diplomático Euro-BRICS, as tensões em volta da taxa de carbono europeia sobre as companhias de aviação não europeias não estariam a envenenar há meses as relações entre Bruxelas de um lado, e Pequim, Moscovo, Nova Deli, ... do outro. Pelo contrário, teria há muito sido nomeado a nível europeu um “facilitador” para encontrar o necessário terreno de entendimento entre os diferentes parceiros, nomeadamente no seio da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), em vez de deixar a Comissão Europeia empurrar a UE para uma posição insustentável a prazo. O facilitador permitiria assim contornaa postura ideológica da Comissária Connie Hedegaard (1) encarregada do dossiê na Comissão evitando avolumar um confronto de posições que não pode se não prejudicar a cooperação entre a Europa e os BRICS. Para além deste exemplo e de numerosas cooperações bilaterais Euro-BRICS em curso, é certamente no seio do G20 que o papel duma parceria se fará sentir a partir de 2013. Sobre as questões da reforma do sistema monetário internacional e nomeadamente da divisa mundial de referência, bem como sobre os problemas de controlo dos grandes operadores financeiros privados, a Eurolândia e os BRICS têm interesses estratégicos fortemente convergentes. Em conjunto, formam uma ampla maioria do G20. É por conseguinte deles e só deles que pode emergir uma visão do mundo depois da crise e uma dinâmica que permita pô-la em prática. Porque, como vem sublinhando o LEAP/E2020 desde 2009 (desde o G20 de Londres), sem colocar em causa o papel do dólar americano e sem um controlo severo das grandes instituições financeiras privadas, não haverá saída possível para esta crise. Ora, desde maio de 2012, e pela primeira vez desde o início da crise mundial, as condições parecem-nos claramente reunidas para avançar rapidamente em matéria de cooperação estratégica Euro-BRICS fazendo assim progredir as possibilidades de ultrapassar a crise atual. O LEAP/E2020 e o MGIMO, com toda a equipa do MAP, esperam que este número especial do MAP permita formar uma ideia do caminho a percorrer nos próximos anos, oferecendo uma visão mais clara das grandes mudanças geopolíticas que os próximos anos irão trazer relativamente ao mundo que conhecemos desde 1945. Último apontamento, este número especial Euro-BRICS do MAP estará disponível não apenas em francês, inglês, alemão e espanhol, como nas edições habituais, mas também em português, russo e chinês. ----------- Notas: (1) A este propósito, lembro que a mesma Connie Hedegaard, então ministra danesa do ambiente, teve que abandonar em Dezembro de 2009 a presidência da Cimeira de Copenhaga sobre o Clima perante a contestação geral da sua gestão das negociações. Um “pormenor” que não deveria escapar aos europeus nas discussões em curso com os BRICS a propósito desta taxa de carbono. Origem: Guardian, 16.12.09 Baixar MAP6-Especial Euro-BRICS - Maio 2012
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SUMARIO Editorial - Parceria Euro-BRICS: A caminho do mundo depois da crise, por Franck Biancheri (p.3) Instituiçõnes - Resultados da quarta cimeira dos BRICS e perspetivas de cooperação entre os BRICS e a União Europeia, por Prof. Valery Vorobiev (p.5) Referencial - Conclusões do seminário fundador do processo Euro-BRICS, por LEAP (p.7) Parceria estratégica - Perspetivas para uma cooperação estratégica Euro-BRICS: um olhar do Brasil, por Alexander Zhebit (p.9) Geopolítica - A Rússia e o Brasil no grupo BRICS, ambições para o futuro,por Ludmila Okouneva (p.12) Economía - O papel da cooperação UE-BRICS, por Chandrasekharan Jayanthi (p.14) Comércio - A cooperação dos BRICS ao serviço da formação de uma política comercial e as prioridades da cooperação BRICS e Euro-BRICS, por Dra. Tatiana M. Isachenko (p.20) Sistema monetário - Os decisores chineses a dois passos de liberalizar a balança de capital, por Zhu Changzheng (p.22) Educação - Perspetivas de colaboração no domínio do conhecimento, por Anna Makarenko (p.25) DOSSIER : Aerospacial . A via europeia para o espaço passa pela China e pela Rússia, por Stefan Hilgermann (p.27) . Aerospacial Os EuroBRICS e as tecnologias de soberania: o Espaço, por Jean-Paul Baquiast (p.29) . Aerospacial Da Europa, dos BRICS e do Espaço: uma contribuição para o debate sobre a cooperação Euro-BRICS no setor espacial, por Tanja Masson-Zwaan (p.31) Baixar MAP6-Especial Euro-BRICS - Maio 2012
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